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A Saga de John Neschling continua

7 de março de 2009


Atto Tercero


O último ato de John Neschling e sua batuta sob o comando da OSESP começa com a asecensão de José Serra na política executiva paulista.

Serra quando prefeito de SP convidou Neschling e a OSESP para se apresentarem na Virada Cultural, o maestro negou o pedido do prefeito tucano, alegando falta de estrutura no evento. A Virada Cultural tenta substituir outro grande evento da vida cultural de SP, o aniversário da capital.  Na administração de Marta Suplicy o aniversário de SP era sempre motivo de grandes júbilos, inclusive os 450 anos de aniversário da cidade ocorreram durante a administração da prefeita, com grande apoio da população e da mídia.

As divergências entre Serra e Neschling começaram quando o atual governador de SP ainda era prefeito.

Com o intuito de passar a borracha em Marta, José Serra trouxe as "Noites Brancas" de Paris e de o nome de Virada Cultural, a presença da melhor orquestra do Hemisfério Sul  e de seu maestro titular seria a cereja no bolo, Neschling não só tirou a cereja como enfiou a cara de Serra e seu secretário de cultura João Sayad, no bolo.

Até hoje a Virada Cultural não faz sombra ao Aniversário de SP, talvez por ter colocado a cidade no mapa da cultura mundial há sessenta anos atrás, por não ter o mesmo prestígio ou pelo fato de Serra/Kassab terem deixado de lado as festividades…Isso é assunto pra outra hora.

Dois anos após o episódio Serra tornou-se governador do estado de SP e levou João Sayad para a secretária de cultura estadual. Nesse meio tempo a Fundação OSESP saiu do papel e nomes como Fernando Henrique Cardoso, Alberto Dines, Pedro Malan e Pedro Moreira Salles aceitaram fazer parte de seu conselho. José Serra guradou seu rancor com o maestro, tanto que segundo a coluna de Mônica Bergamo reclamava com frequência das regalias e luxo do mandatário orquestral, como viajar só de primeira-classe – enquanto o resto da orquestra viaja na econômica -, hospedava-se em hotéis de quatro estrelas e lógico o seu alto salário. Os avisos do Palácio dos Banderantes vinham através da secretária de cultura – ao lado da OSESP -, frases como " para ou vai cair feio" foram utilizadas na imprensa para expor o desejo de José Serra.

Os golpes finais não vieram de José Serra, em 27 de Outubro de 2007 foi divulgado no You Tube um vídeo do maestro criticando o governador Serra durante um ensaio da orquestra, Neschling chamou Serra de "menino mimado e autoritário". O vídeo foi atribuído a ala dos músicos descontentes do conjunto orquestral. Após o vídeo as pressões sobre o maestro aumentaram e no início de 2008 o maestro revelou que não continuaria no comando da OSESP ao não renovar seu contrato, terminando sua participação na OSESP em 2010 após a turnê européia.


O vídeo foi nomeado de "Os últimos compasso de um maestro" e são usadas expressões como "o peixe morre pela boca".

Diversos nomes surgiram após a revelação de Neschling, Ronald Zollman, Frank Shipway, Mario Vengazo, Yan Pascal Tortelier, Daniel Barenboim e claro Roberto Minczuk eram os nomes mais cotados. Mas, a Fundação OSESP não se manisfestou ou apresentou alguma transiçãoem seu comando artístico, apenas dois consultores foram contratados para "estudar" a troca. Mas, se todos pensavam que John Neschling sairia sem disparar seus últimos golpes estão enganados, ele deu entrevistas ferrenhas criticando a atitude do Estado e a Fundação com o futuro da OSESP, uma dessas entrevista seria o golpe fatal que destronaria Neschling do púpito.

A fatídica entrevista de John Neschling ao jornal o Estado de SP em 9 de Dezembro passado foi o pretexto para sua saída, nela criticou a atuação da fundação em sua transição, os consultores e o seu receio com sobre o futuro do projeto. O conselho da fundação esperou passar o concerto da EuroArts e Neschling viajar para articular sua saída, na noite de 22 de Janeiro foi divulgado o comunicado oficial. O maestro estava na Grécia prestes a reger orquestra nacional daquele país quando recebeu a notícia por e-mail, segundo a Fundação OSESP ele foi demitido por telefone quando estava em sua residência na Suiça – no fundo não sei o que é pior!

John Neschling deu entrevistas muitos mais ferrenhas durante o ano passado, disse em uma delas que deixaria a orquestra "nos píncaros da glória" após os últimos dois concertos da turnê em Berlim e Viena, centro da música clássica mundial. Acabou saindo através de um e-mail, sem direito de se despedir.

Veja amanhã a última parte da saga de John Neschling e o futuro da OSESP.

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