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A Saga de John Neschling

9 de março de 2009

Finale

John Neschling e a OSESP seguem em caminhos diferentes, o mestre desvinculou-se da obra. 

O maestro francês Yan Pascal Tortelier assume a OSESP finalizando a hegemonia de Neschling nos últimos doze anos e ficará no cargo até meados de 2010. John Neschling não deve voltar aos palcos brasileiros tão cedo, seu destino será o leste europeu ou a América do Norte, e se reger alguma orquestra brasileira será apenas como convidado.

O maestro francês Yan Pascal Tortelier

Tortelier regeu a OSESP seis vezes ano passado e estreou na última quinta-feira (05/03) como regente principal – leia crítica do concerto abaixo – esclareceremos uma coisa, regente principal não é regente titular, Tortelier apenas conduzirá mais que os outros convidados e tem liberdade para escolhar as peças. As músicas escolhidas no concerto foram a Sinfonia Nº2 em Mi Menor de Sergei Rachmaninov, As Variações Enigma de Edwaard Elgar e de abertura Hino Nacional Brasileiro de Francisco Manoel da Silva, essas peças substituiram a cantata Paulus escolhida por Neschling, uma homenagem prestada aos 200 anos de vida que o autor da obra o compositor Felix Mendelssohn completaria esse ano. 

Outras substituições além dessas foram feitas na temporada 2009, principalmente na música brasileira. 

Até 2010 a Direção Artística da Fundação OSESP ficará a cargo do norte-americano Henry Fogel (ex-presidente da Liga de Orquestras Americanas) e do inglês Timothy Walker (ex-diretor artístico da Filarmônica de Londres), eles também seram responsáveis pelo metódo de escolha do novo diretor artístico e regente da titular da orquestra, é grantido que um cargo será distinto do outro, ou seja, diferente da era Neschling quando o maestro acumulava as duas funções agora haverá uma pessoa para cada cargo.

Além de Tortelier outros maestros como os brasileiros Fábio Mechetti e Isaac Karabtchevsky foram chamados para cobrir a lacuna deixada por Neschling na temporada 2009. A demissão do maestro John Neschling impactou profundamente na comunidade musical brasileira, considerado pelos músicos uma benção – prova disso foi a harmonia entre Tortelier e a orquestra logo de cara – pelos diversos fatores apresentados anteriormente, para os ouvintes e apreciadores da orquestra foi uma tragédia, sendo que alguns até cancelaram sua assinatura – embora foi recorde de vendas de assinatura e captação de recursos e patrocínio esse ano. 

Depois da tempestade…

A Fundação OSESP foi completamente equívocada. Neschling deveria ficar no cargo até 2010, para manter o status alcançado pela OSESP com os patrocinadores e com o público nacional e estrangeiro. O ato da demissão foi precoce da parte de FHC e seus conselheiros, a imagem que ficou foi o amadorismo na música brasileira, o desrespeito com o público e falta de latência no cumprimento de seus contratos.

Acredito que FHC pensava em Neschling como um de seus ministros, podendo fazer a qualquer reformas ministeiriais até achar o ponto ideal como correu em seu governo. A diferença é que FHC, Serra e o conselho pensavam e confundem cargo político com cargo público – não estou para ser a voz do funcionalismo público – o cargo de maestro/diretor artístico é um cargo público, sua função era ficar até o fim de seu contrato, ago que foi interrompido bruscamente, mostrando o cenário musical brasileiro como algo incapaz e inseguro, igual ao governo FHC.

Para piorar a situação, John Neschling ameaça entrar na justiça caso não receba devidamente sua recisão.

Se FHC e companhia erraram na demissão de Neschling, acertaram na contratação de Yan Pascal Tortelier, o maestro francês tem vasta experiência em orquestra de ponta como a BBC de Londres e a Sinfônica de Pittsburg. Se o medo do projeto de Covas e Neschling era ir por água abaixo, com a presença de Tortelier ele foi afastado e fluirá normalmente até 2010. O único receio é o desconhecimento do maestro com a música brasileiro – algo que o próprio francês admite – embora ele prometeu estudar algo para 2010.

Henry Fogel e Timothy Walker deram sua primeira cabeçada na parede, eles escolheram um regente inexperiente, que nunca regeu e não conhece a orquestra para regê-la em uma turnê nos EUA.O norte-americano Kazem Abdullah (29) foi escolhido pelos consultores artísticos para reger a OSESP em 18 cidades daquele país, a indicação veio através de Tim Fox, um "agente artístico" da CAMI, uma agência de cultura que administra carreira de maestro e solistas, como acontece no cinema. Só pra registrar: Tim Fox e a CAMI são responsaveis pela turnê e pela carreira do jovem regente.

O jovem regente Kazem Abdullah

Agora faço levanto algumas questões:

1-) Se os dois consultores não tem capacidade de escolher um nome para reger a orquestra numa turnê por que usar conselho de um agente e por que eles continuam no cargo?

2-) Por que não levantou com outras agências?

3-) Como um regente que esperou quatro anos para reger no Metropolitan Opera House de NY, praticamente começou a reger ontem – antes seguia a carreira de clarinetista – pode reger a principal orquestra do Brasil sem sequer conhecer seu trabalho? Lembrando que sua elogiada critica forma duas linhas no New York Times e o fato dele ser jovem não distingüe sua experiência e qualidade musical, Gustavo Dudamel regia  turnês desde seus 17 anos.

4-) Até onde Tim Fox e a CAMI tem influência nas escolhas da OSESP?

5-) Levantaram apenas o nome de Tortelier e de Kazem, por quê não um regente nacional ou caso seja estrageiro de ponta, como aqueles que fazem parte do casting da CAMI?

Em suma, a presença do jovem Kazem Abdullah no púpito da OSESP agradará apenas a sua família e seu agente.

Yan Pascal Tortelier fica – até segunda ordem – na orquestra até 2010, porém ele sempre foi elegoiado nos cargos e orquestra onde regeu, sempre com cordialidade e simpatia dos músicos e do público, alguns estão crentes que Tortelier ficará no cargo além de 2010 e assumirá como regente titular. Outros veem Tortelier como um maestro "tampão", e que ele sairá em 2010 dando espaço para um grande nome da música mundial, ou mesmo um brasileiro.

Obs: Prometo até o fim do mês apresentar a proposta de alguns regentes que assumiriam o cargo na OSESP, inclusive aqueles que foram cogitados a esmo.

A estréia de Tortelier

Em concerto transmitido pela TV Cultura pude ver a estréia de Yan Pascal Tortelier a frente da OSESP na quinta-feira (05/03). Não menos importante que a volta de Ronaldo ao futebol, a presença de Yan Pascal Tortelier é um marco na OSESP e na música mundial, pela primeira a OSESP tem como regente principal alguém que foi diretor de duas grandes orquestras mundias a Sinfônica de Pittsburg e a BBC Sinfônica de Londres. 

O respeitado maestro começou o concerto com o Hino Nacional Brasileiro, a tensão e expectativa era grande entre o público e o maestro, porém no palco a orquestra estava tranqüila. Tortelier, que é conhecido por não utilizar tantos gestos ao conduzir a orquestra exagerou nos movimentos com as mãos na primeira obra da noite, usou em demasia os movimentos de marcha, provavelmente confundiu-se com "La Marselleise" o famigerado hino nacional francês. Por várias pareceu que o maestro estava perdido, mas conseguiu terminar normalmente, embora não tirou toda capacidade da orquestra.

Veja Tortelier regendo hino nacional brasileiro

Na segunda obra da noite, as Variações: Enigma de Edward Elgar, uma obra pouco conhecida do público brasileiro e sem muitas gravações, Bernstein tentou gravar com a BBC na década de 70, como não conhecia a orquestra e a obra – além de voar de NY a Lonbdres e não dormir – a gravação foi um fiasco e é considerada uma das piores gravações do ramo. Em Elgar,  Tortelier começou a sintonizar-se um pouco mais com o conjunto, já com os poucos movimentos com as mãos e usando contato com os olhos e o rosto que o consagraram em sua passagem por Londres e Pittsburg. Embora, seus movimentos estavam um pouco mecanizados, como ocorreu no segundo e no quinto movimento.

Na última parte da noite o francês conduziu a segunda sinfonia de Rachmaninov em Mi Menor, a OSESP executou essa obra em sua última turnê na Europa. Com a orquestra conhecendo muito bem a obra de Rachmaninov, Tortelier sentiu-se à vontade e pode tirar toda a qualidade do conjunto, destaque para as cordas e as madeiras ao encaixarem bem suas dinâmicas e harmonia em pontos primórdias da música como no final do primeiro movimento e no começo do segundo.

Após o fim da peça, Tortelier foi aplaudido e voltou três ao palco, sendo aprovado pelo público e pela orquestra. O trabalho do filho de Paul Tortelier, grande violoncelista do século XX ainda está engatinhando, há muito trabalho a ser feito, como quebrar algumas barreiras deixadas por Neschling entre os músicos, como ganhar sua confiança, algo que deu pra notar em alguns naipes da orquestra.

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