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Uma última tentativa

23 de julho de 2009

É hora de Brasil e EUA interferirem antes de um banho de sangue
Antes de Manuel Zelaya partir para o suicídio seria hora de o Brasil partir para as conversações. Ao lado dos EUA e Chile, o Brasil é um dos únicos com viés diplomático para evitar um banho de sangue em Honduras. A recendente conjuntura de Costa Rica e Venezuela foi um fracasso total, em nenhum momento o presidente em exercício Roberto Micheletti refutou largar o poder, muito menos deixar o presidente democraticamente eleito, Manuel Zelaya, votar ao cargo.

Zelaya prepara seu último ato

Zelaya prepara seu último ato

Micheletti apenas ganhou tempo para fortificar sua política golpista e seus exércitos, prestes a entrar em combate sem desperdiçar uma única gota de sangue, seja de civis inocentes ou tropas. Roberto Micheletti baseia-se na Suprema Corte e nas leis hondurenhas, onde não há a figura do impeachment, além de ter grande parte das forças militares do país lhe apoiando.

Ou seja, Roberto Micheletti é o Ranieri Mazzili dos hondurenhos. Ranieri Mazzilli assumiu a presidência do Brasil após o Golpe de 1964 sobre o presidente João Goulart, Mazzilli ainda substituiu Jânio Quadros quando este renunciou a Presidência da República, onde teve a primeira tentativa de não deixar Jango na presidência. Algum militar hondurenho deve estar prestes a receber a faixa presidencial entre os botões de sua farda, Micheletti é apenas a “cara civil” do governo até os ânimos da população abaixar. Como Mazzilli, Micheletti é apenas o scapegoat ou em bom português, álibi.

Micheletti e Mazzilli, não é só o nome italiano em comumPascoal Ranieri Mazzilli

Micheletti (acima) e Mazzilli (abaixo), os homens da "hora"

De fato, Zelaya – mesmo se retirar o referendo onde possibilita sua reeleição – não tem condições de voltar ao comando da nação hondurenha. A melhor proposta a ser oferecida aos golpistas seria a condução do vice-presidente de Zelaya, Aristides Meija, para a presidência. Seguido do afastamento de todos os golpistas dos cargos militares e civis, o retorno de Zelaya e adiantar para outubro de 2009, as eleições gerais estavam marcadas para 2010. Em miúdos, dar a possibilidade de o povo voltar a exercer seu direito democrático retirado no dia 28 de Março de 2009. As eleições seriam monitoradas sobre a tutela da OEA, com apoio logístico (militar) dos EUA e Brasil (urnas e outros tramitem eleitorais). Outra atitude a ser tomada seria após as eleições, uma reforma constitucional em 2010, para evitar futuros golpes no país.

Mas, nem a OEA, nem a Costa Rica e muito menos a Venezuela podem fazer essa proposta. Apenas Brasil e EUA, na figura de Hillary Clinton, Susan Rice, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim. As duas principais forças da América devem movimentar-se para a recondução do poder democrático. Manuel Zelaya ficará entre a fronteira de El Salvador e Honduras, não se sabe ainda se ele entrará no país, mas se entrar será preso, acusado de traição e possivelmente morto, como responsável pelas mortes e manifestações durante o golpe.

A coluna de Régis Boinvicino, relatou uma conversa entre Micheletti e Clinton caso Zelaya não volte ao poder ou algo aconteça a ele. Ela sabe que meras sanções não funcionarão, a atitude será apenas uma, única, e iminente, guerra. Micheletti e os golpistas acreditam que Clinton não enviará tropas norte-americanas, e muito provavelmente não o fará. Mas, ela deve liberar Chávez para entrar em combate em Honduras, o mandatário venezuelano deseja demonstrar o seu poder militar para o mundo, além de impor sua posição de potência latino-americana ao lado de Brasil e México, principalmente após seus representantes em Honduras terem sido convidados a se retirar.

Em todo caso, imaginar um cenário de guerra na América Latina num ano de recessão não é muito bom, portanto os diplomatas devem chegar a uma solução antes do fim de Julho, ou viraremos um barril de pólvora.

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