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Temporada 2010 promete disputa pauta a pauta na OSESP

25 de outubro de 2009
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Voltando após um longo período de inatividade

A OSESP lança a temporada 2010 da orquestra. Com grande destaque para o número de solistas e regentes convidados, entre os maestros são 22. Os consultores artísticos Henry Fogel e Timothy Walker deixam clara intenção com a grande quantidade de regentes, a temporada de caça ao novo regente está aberta.

Tortelier não está seguro no cargo, embora competente, sua característica apaziguadora o demonstra como um mero tampão. Aliás, olhando a carreira do maestro francês pode-se dizer que é a história da vida dele ser tampão,  tapou buracos na Orquestra da BBC e na Sinfônica de Minnesota até a chegada de um regente de verdade. O fato de não ter conduzido a OSESP nos concertos de Campos de Jordão e durante a turnê atual da orquestra nos EUA é a perfeita definição de Tortelier como “carta fora do baralho”.

Nem a sombra assegura Tortelier depois de 2010
Nem a sombra assegura Tortelier depois de 2010

Diria para o jornalista Paulo Henrique Amorim –  crítico feroz da passagem do francês pela OSESP – para ficar calmo, pois em janeiro de 2011 o conjunto terá um novo regente. E diria que a escolha será entre quatro regentes, Celso Antunes, Isaac Karabtchevsky, Fábio Mechetti e Roberto Minczuk. Os quatro têm vasta experiência, potencial e qualidade para reger a OSESP.

Fora do Baralho

A possibilidade de um regente estrangeiro continuar na OSESP é quase remota, não pelo salário, até baixo perto dos U$$ 100 mil mensais recebidos por Neschling durante esses doze anos, mas por José Serra ter demitido o norte-americano Ira Levin, da Direção do Theatro Municipal quando era prefeito de SP.

Quando regente do municipal, Levin retomou a boa música ao teatro, fez reformas necessárias e explorou um repertório mais pesado para o conjunto. Sua passagem foi elogiada pela crítica e pelos músicos – algo cada vez mais raro hoje em dia – inclusive memoráveis versões de óperas, como Lohengrin de Wagner. Diga-se de passagem, Ira Levin, atual diretor da Orquestra Sinfônica Nacional do Teatro Claúdio Santoro e o regente com o maior número de óperas conduzidas no Brasil – mais de trezentas récitas – não está na programação 2010 da OSESP.

Faltaram alguns nomes lista, como de Roberto Tibiriçá, Jamil Maluf, Luiz Fernando Malheiro e Carlos Moreno. Moreno teve uma excelente passagem pela OSUSP e assumiu no ano passado a direção da Sinfônica de Sto. André no lugar do falecido Flávio Moreno. Jamil Maluf, que disputou o cargo da Osesp com Neschling doze anos atrás assumiu a direção do Municipal no lugar de Ira Levin faz milagre com a Municipal, com um orçamento ralo e o teatro em reformas ainda consegue montar uma temporada razoável – sem ópera – com os corpos estáveis do municipal, que ainda inclui a Orquestra Experimental de Repertório, fundada por Jamil vinte anos atrás. Tibiriça faz pro sua vez, tem como destaque a boa fase da Sinfônica Heliopólis, talvez a melhor orquestra jovem brasileira hoje, e teve boas passagens nos últimos anos pela OSB e Municipal de SP.  E Malheiro é o principal regente de óperas do país,  faz visitas constante a orquestras da Europa e a Venezuela variando seu repertório entre ópera e a música brasileira de concerto.

Outro nome fora é o de João Carlos Martins, o regente e pianista fez uma excelente temporada com sua orquestra, Bachiana Orchestra. Talvez não seja um nome para ser diretor musical – cargo que desejam criar para o maestro não ter plenos poderes como acontece em Chicago -, mas seria um ótimo assistente ou consultor da orquestra, devido suas experiências.

Favoritos

Sem dúvida Mechetti e Minczuk são os favoritos pelo cargo, com ligeira vantagem para Minczuk.

Roberto Minczuk
Fábio Mechetti (acima) e Roberto Minczuk (abaixo)

Fábio Mechetti atual diretor da Sinfônica de Jacksonville (EUA) e da Filarmônica de Minas Gerais, teve excelente passagem na OSESP, sendo elogiado pela crítica e pelos músicos. Formado em regência pela principal instituição do gênero nas Américas, a Julliard Music School de NY, Mechetti além de participar do programa da OSESP em 2010 gravará um CD com obras do compositor Alberto Nepomuceno e gravou a quinta sinfonia de Tchaikovsky mês passado. Embora seja diretor de duas orquestras, sua agenda é maleável e Mechetti é o favorito nos corredores da Secretária de Cultura.

Do outro lado da Sala São Paulo, Roberto Minczuk é o favorito dos músicos, especialmente por ser prata da casa. Roberto Minczuk é o regente brasileiro com mais atividade fora do Brasil, com constante presença em orquestras francesas, norte-americanas e britânicas, dirige atualmente o Theatro Municipal do RJ, a Orquestra Sinfônica Brasileira e renovou seu contrato com a Filarmônica de Calgary. Dirigiu ainda por seis anos o Festival de Campos do Jordão e atuou como assistente de Neschling na OSESP até meados de 2004.

Sua relação com os músicos cariocas está desgastada devido um motim dos músicos ocorrido no final do ano passado, onde eles se negaram num primeiro momento a tocar com Minczuk no comando, depois voltaram atrás após conversa a porta fechadas com o maestro.

Contra Isaac Karabtchevsky pesa o fato de reger umas quatro orquestras ao mesmo tempo, não abdicar de nenhuma – como aconteceu quando dirigiu o Municiapl de SP – e ter alguns assistentes espalhados por aí sendo comandados por Skype e Blackberry. Seria uma espécie de regente virtual.

Celso Antunes é pouco conhecido do público paulista, sua qualidade como regente é inegável, mas grande parte de sua carreira é baseada na Europa. Não tem apoio dos músicos e da crítica, corre totalmente por fora.

A Escolha

O novo regente da OSESP não pode ser escolhido como um técnico de futebol, a democracia deve ser emancipada neste caso. Como acontece em Berlim, os músicos – não os conselheiros – votam pelo novo regente a partir de suas propostas para a orquestra, afinal ser maestro da Orquestra Sinfônica do Estado de SP é um cargo público.

Deve trazer propostas inovadoras para orquestra, como pianista residente, mais turnês, compositor residente, mais contato com o público através de concertos populares, expansão da Academia da Orquestra e criar departamentos para balé e outras artes.

Porém, como no futebol a figura de empresários pesa mais que a democracia. Pessoas como Tim Fox, agente da Columbia Artists e de maestros como Kazem Abdullah, um regente inexpressivo dos EUA e nada conhecido do público brasileiro que conseguiu dependurar a vaga de maestro da OSESP durante toda a turnê naquele país. Usando termos futebolísticos e como o mágico empresário do jogador Afonso Alves, que conseguiu encaixá-lo na seleção brasileira.

A agência tem em seus portfólios regentes como Michael Tilson Tomas, James Levine, Valery Gergiev e tantos outros, por que escolheram o inexperiente Abdullah para reger uma orquestra com repertório tão diferente do norte-americano?

Embora Abdullah afirme que Neschling o convocou para reger a turnê.

Enquanto isso, Neschling no melhor modo Pilatos de ser regeu uma série de concerto na Itália com a Orquestra Sinfônica Siciliana e lançará o livro “Música Mundana” em 9 de Novembro na Livraria Cultura, sobre sua carreira e os bastidores da OSESP.

Programação e algo que Estadão e Folha não divulgaram

A programação tem destaque a presença dos pianistas Lars Vogt e Nelson Freire, do violoncelista Antônio Meneses, o violinista Pinchas Zucherman, a presença dos compositores argentino Osvaldo Golijov e Heinz Holliger e um ciclo voltado ao compositor Gustav Mahler, em comemoração aos seus 150 anos de nascimento.

Há um buraco na programação em Outubro, Novembro e Dezembro, quando a orquestra estará na Europa e onde Neschling deixaria o cargo nos píncaros da glória. O regente para a turnê ainda não foi divulgado, mas podemos dizer que Mechetti e Antunes não estarão no comando devido compromissos com orquestras no Brasil, inclusive na Sala São Paulo em novembro. Na mesma época está programada a única récita de ópera do ano, com a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de SP. Com isto a OSESP torna-se de vez uma orquestra exclusivamente voltada aos concertos, um sacrilégio. Até a Filarmônica de Berlim, orquestra   originalmente de concertos  realiza óperas esporádicamente.

Meu palpite é  Tortelier como regente da turnê européia, variando com outro brasileiro (provavelmente Minczuk) – um erro crasso da administração artística nesta turnê norte-americana ao deixar apenas o maestro Abdullah no comando da orquestra.

A programação da turnê não foge muito do dia 28, 29 e 30 de Outubro, com Antônio Meneses ao violoncelo com concertos de Shostakovich – que consagrou o músico sob a batuta de Karajan em Berlim – Elgar e obras para orquestra de Carlos Gomes, Maurice Ravel, Villa-Lobos e Mahler.

Outro destaque da nova temporada é o aumento do preço nos ingressos avulsos e nas assinaturas, ultrapassando os mil reais por uma assinatura para assistir nove concertos.

One Comment leave one →
  1. permalink
    3 de novembro de 2009 10:14

    Uma excelente volta! Parabéns :* A matéria está bem conduzida e os pensamentos estão fácies de compreender.

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