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Vexames e tiros no pé na OSESP

9 de dezembro de 2009

Resta apenas colocar a placa “sob nova direção”

O presidente do conselho da OSESP e ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, anunciou ontem a nova estrutura da orquestra para 2010. Além de contar com a permanência do diretor executivo Marcelo Lopes, dos consultores da Henry Fogel e Timothy Walker, o conjunto tem a confirmação de Yan Pascal Tortelier como regente principal para os próximos dois anos e Arthur Nestrovski como Diretor Artístico.

Com a contratação de Arthur Nestrovski, jornalista da Folha de S.Paulo, confirma as mudanças estruturais no conselho da orquestra, agora todo o poder será dividido entre diretor, consultores e conselheiros da Fundação OSESP. Alterando o modelo anterior, onde a direção artística e da orquestra ficava sob a tutela de John Neschling.

Vendo do alto, falta visão à OSESP

FHC, aplica na OSESP o modelo administrativo de seus oito anos no Palácio do Planalto. Com diretores, gerentes, conselheiros e consultores, uma tomada de decisão sem voz altiva. Esse modelo, FHC só conseguiu acertar na reforma ministerial do seu segundo mandato, com a vinda de Pedro Parente como Ministro Chefe da Casa Civil.

Arthur Nestrovski – principal crítico musical do país – nunca assumiu antes um cargo desse gênero. Sendo músico (violonista) e jornalista, nunca teve experiência orquestral, exceto pela platéia. Faria mais sentido se o Conselho da OSESP escolhesse um diretor de festival, escola de música ou músico com experiência orquestral, como fez a Sinfônica da Bahia, ao escolher o pianista Ricardo Castro.

Enquanto FHC tenta estruturar a OSESP como um governo tucano, Tortelier dá vexame nos aeroportos pelo Brasil. No último domingo, o regente francês foi preso por desacato a autoridade, pela Polícia Federal. Segundo o blog do Guilherme Barros, o maestro estava acompanhado por sua esposa e filho quando reclamou da fila para liberar o passaporte.

O vexame só não foi maior devido a intervenção do Itamaraty (devo lembrar que na Fundação OSESP além de ex-presidente da república temos embaixadores) junto ao Ministério da Justiça para a liberação do maestro. Lembrando, que Tortelier foi contratado por ser um regente apaziguador, diferente de John Neschling, que era tachado por ser destemperado e ter dado declarações ácidas contra o governador de SP, José Serra.

Yan Pascal Tortelier não tem cacife para ser regente da OSESP. Pra começar, ele não sabe reger ópera, tanto que a temporada 2010 não terá ópera. Embora seja uma orquestra de concertos, a realização de ópera melhora o desempenho do grupo, como ocorre nas orquestras de Paris, Berlim, Chicago e Nova York. Precisaria adicionar não apenas ópera nos programas da OSESP, como música de balé, cada vez mais rara no Brasil.

O pomposo regente francês, sempre foi tampão por onde passou, e recentemente foi escrachado pelos músicos da Sinfônica de Boston, como mostrou Paulo Henrique Amorim em seu blog. Não cativa o público e para montar programas de orquestra deixa buracos óbvios, como a ligação entre romântico-clássico ou mesmo, os momentos disney, como puxar Abertura 1812 para o final, só faltou fogos de artíficio.

Pra piorar, o Conselho da OSESP tenta fingir que a orquestra terá um papel social maior, com os concertos populares. Embora, o ingresso de apresentações casuais sofrerá aumento, como apresentado neste blog anteriormente. E, não estipula quantos concertos populares a orquestra terá. Diga-se de passagem, cobrando um preço tão alto, faltam nomes da primeira divisão da música, Mariss Jansons, Zubin Mehta, Kurt Masur e etc (algo que falta desde os tempos de John Neschling).

Dizem que acabou o período de transição, pode até ter acabado – embora tenho minhas dúvidas – porém, está cada vez mais evidente a falta de planejamento para a Temporada 2010 da OSESP, além dos concertos populares, falta a programação para Campos do Jordão, para a OSESP Itinierante e para a turnê na Europa.

FHC brinca na OSESP como brincou nos oito anos de governo, espero que acerte com a escolha de Nestrovski, como acertou com Pedro Parente, Everaldo Maciel e Armínio Fraga. Do contrário, será um tiro no pé como: não cumprir o contrato de Neschling até o final, chamar um regente desconhecido para uma turnê pífia nos EUA, até a minha amada Orquestra do Pão Açúcar fez uma turnê no país e renovar por dois anos com um regente tampão.

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