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Causos do Cotidiano – Pingos dolorosos

23 de fevereiro de 2010

Fechar todas as janelas do ônibus pode ser pior do que alguns pingos

Mais uma vez utilizando o transporte coletivo de São Paulo me deparo com uma cena chocante. Durante minha ida à universidade na linha de ônibus 675-X, Terminal Grajau-Vila Mariana começa aquele típica chuva torrencial para alegrar o fim da tarde do paulistano. Como se não bastasse o calor insuportável dentro do ônibus, os passageiros começaram a fechar todas as janelas deixando o ambiente abafado e o ar pesado.

Entre aquele bafo, a chuva e revistas transformada em abanadores, um menino começa a passar mal. O menino de aparentemente uns 6 anos de idades teve uma queda repentina de pressão, logo em seguida ele desmaiou. As pessoas começaram a abrir a janela para ventilar e deixar o ar ambiente menos pesado, a mãe começa fechar com medo de que o menino tomasse chuva e piorasse.

A mãe relata que o menino acabara de sair do hospital e tem problemas de asma. Logo garrafas com água surgem para tentar reanimar o garoto, o ônibus estava próximo do Hospital Servidor Público e o motorista se dirigiu para lá sem parar nos outros dois pontos existentes no trecho. Antes de chegar no local o menino começou a ter ataque epiléptico e todos no ônibus começaram a desesperar.

Ao chegar no hospital o cobrador sai em disparada atrás de ajuda dentro do hospital, nesse momento o menino continua desacordado e para de trepidar. O cobrador retorna e conta aos passageiros não ter encontrado ninguém na emergência que pudesse atender o garoto. O desespero toma conta dos passageiros, e a mãe tentava apenas aliviar o sofrimento do garoto com um pano molhado.

O garoto então começa a ter uma segunda convulsão, esta mais forte que a primeira. A mãe não queria colocar o pano na boca do jovem, ela estava atônita.  Decidimos então levar o garoto para dentro do hospital, afinal nenhuma maca ou atendimento ambulatório viria até o lado de fora para ajudar. Eu, o cobrador e duas senhoras levamos o garoto para fora com guarda-chuvas o cobrindo e o cobrador o levando no colo, com o acompanhamento da mãe. Surge então um policial militar, numa nobre atitude leva o garoto para dentro do hospital sem se preocupar com a chuva.

Fica aí a atenção aos passageiros paulistanos, não fechem todos os vidros numa chuva. O resultado pode ser pior que alguns pingos. E prestem atenção ao Hospital do Servidor Público…

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